30 de dezembro de 2008

Já que não consegui ir à Irlanda...

Já que não consegui ir à Irlanda, limito-me a saborear uma Guinness de quando em vez num espaço onde a pequena comunidade irlandesa se reune a entoar algumas músicas e o verde, esse também existe por aqui, ajudando a descansar a vista e a estabelecer ligação a outros espaços. Bela, a nossa varanda sobre o mar. Apesar de alguns atentados arquitectónicos e da falta de espaço, ainda há lugares assim:
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... e as palavras, essas são intemporais:

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões

9 comentários:

Anónimo disse...

Também tenho o sonho de ir à Irlanda.
Antigamente era mesmo obcecado com o país, desde a música até à maneira de falar. Às vezes até tenho medo de ter idealizado demais o país na minha cabeça e de sofrer uma desilusão se lá for.

teresa disse...

Posso dizer o mesmo em relação ao "imaginário irlandês" também alimentado (entre outros factores) pela obra "Gente de Dublin", a música e, apesar de não dever "puxar assunto" que possa a alguns suscitar alguma irritação, fiquei agradavelmente surpreendida com a questão do referendo do passado mês de Junho...(mas a questão é muito pessoal, e poderá não reunir muitos consensos)

carlos disse...

fui há uns anos com a minha filha numa daquelas fugas de fim de semana prolongado.
com maratona de dublin, dia das bruxas e um temporal desabrido.

fizemos o bloomsday fora de tempo, fui convidado a cantar no míticoo pub frequentado pelo dubliners (coisa que humildemente recusei, agradecendo no entanto a simpatia pelo turista), um hotel de sonho, 4 dias de passeios pela irlando num corsa alugado e o porteiro do hotel com ar de general de 5 estrelas a entrar todo curvado para dentro para o ir esconder dentro da garagem.
foi mesmo uma viagem muito especial com a minha filha.

quanto ao referendo, gostaria mais se por acaso a principal parazão para o voto do não, não tivesse sido a recusa da mentalidade beata contra a liberalização da interrupção voluntária da gravidez (coisa que a comissão europeia vai alterar especialmente para os irlandeses votarem sim...)

neste particular, como diria o joe berardo a propósito de outro senhor:
'f... them'....

Anónimo disse...

Á semelhança do info-excluído, sonho um dia poder visitar "The Emerald Island". Os documentários que tenho visto são lindos de morrer.
As tonalidades do verde nada têm a ver com as de Portugal.
As cantigas tradicionais também são maravilhosas.
Quem sabe um dia...

teresa disse...

Pelos vistos, muitos sonham com essa imensidão de verde, campos e mar a perder de vista.
Fundamentalismos à parte, admiro a capacidade que tiveram em melhorar "efectivamente" (e não com artimanhas meramente estatísticas) o sistema escolar.
Contam os meus alunos que lá foram com alguns professores há uns anos atrás, o espanto que sentiram por terem sido recebidos com pompa e circunstância pelo presidente da câmara e ainda pelo facto de verificarem que, na escola pública, não há ostentação de "marcas": todos usam um uniforme e a mochila é numa espécie de serapilheira, o que "feriu" algumas susceptibilidades, embora não provoque a impressão imediata de que "todos são iguais, mas uns são mais iguais do que os outros"...:)

gin-tonic disse...

Quase que poderíamos constituir o "Clube dos que sempre sonharam ir à Irlanda e meteram o sonho no baú das coisas que não são para fazer". Resta-lhe o imaginário, a música, umas enormes pantufas da Guiness que o filho lhe trouxe da Irlanda (vai pensar em fazer fotografia e colocar em "coisas e loisas"), um neto, hoje com cinco anos, que foi concebido por ali

teresa disse...

De cada vez que chega um comentário, dou comigo a sorrir. À excepção do Carlos, que já foi à Irlanda, parece-me que poderíamos formar o MDQNFIMTP (a sigla é complicada), passo a explicar: "Movimento dos que não foram à Irlanda mas têm pena":):):)

carlos disse...

a história dessa ida à irlanda é engraçada.
resumindo, ou como diriam os meus filhos: 'pai... a versão curta..'
andava eu numa fase mais ou menos como agora, sem tempo para me coçar.
a minha filha telefona-me numa terça feira e diz que vai ter uma ponte qualquer da escola nesse fim de semana e que podíamos aproveitar para fazer os dois uma viagem.
que sim e tratamos de combinar.
chegado a casa tomamos a decisão: irlanda
quarta feira trato de tentar marcar viagem para duas pessoas.
nada.
esgotado
nem viagem nem hoteis.
tento pressionar a agência com que a empresa onde trabalhava fazia as suas viagens e lá me dizem depois de muita pressão que eventualmente podia lá ir ao final da tarde de 5ª feira ver se havia bilhetes disponíveis.
telefono para o meu filho que se coloca de plantão na agência da avenida e ouve o comentário, sem saberem que a ele se referiam, que havia um maluco que ia fazer uma reserva de hoteis pela internet sem ter bilhete de avião e que eventualmente podia ter bilhetes de avião sem ter hotel.
ao final, já com a porta fechada, consegue trazer os bilhetes e passo a noite de quinta feira entre a internet e o telefone a correr os hoteis de dublin até que finalmente encontro o o'callaghan davenport.
um quarto livre a custar os olhos da cara.
noite fora de quinta feira consegui finalmente ter o bilhete e local onde dormir.
trato de alugar carro, coisa francamente fácil e quando no dia seguinte chego à porta neo clássica do davenport e me aperece um tipo com uniforme de general a abrir a porta do minúsculo carro e mais quando pergunto se tinha garagem me dizem que não me preocupasse que bastava entregar a chave que teria sempre o cfarro à porta quando dele precisasse.
até onde nunca fiz as contas desse fim de semana prolongado.

mas deu para visitar a maior parte da ilha e com imensas pequenas e deliciosas histórias

teresa disse...

O último comentário do Carlos vem ao encontro de algumas situações que tenho vindo a descobrir ao longo dos tempos: muitas das vezes não são os projectos muito planeados e amadurecidos os que correm melhor. Algumas decisões tomadas "na véspera" - viagens, reuniões de amigos - acabam frequentemente por se revelar memoráveis:)