21 de junho de 2004

bom,

férias finalmente...
mas quero pronunciar-me por ordem. o dia de ontem primeiro e o dia de hoje depois.
não sei onde vocês todos moram, mas digo: setúbal estava que parecia dois (dois setúbales), gente a ocupar toda a luísa todi, berros e apitos non-stop, parece que não se cansavam. não entendi como euforia pode durar tantas horas e como se podem prolongar tanto os berros iniciais e os saltos e os sorrisos e as bandeiras. depois da euforia, não se sentaram alegres a beber um copo ou a conversar, mas fizeram a mesma euforia... ininterrupta. durante horas. imagino lisboa.
o país de facto tem tendência para o negativismo, somos um povo deprimido e eu nem sei bem porquê, acho que é muito feitio também. e é bom quando vemos toda a gente do país contente. não sei se feliz, mas certamente contente. é bom que por uma vez ou outra haja alegria geral e se eleve a bandeira com tanto orgulho e se grite Portugal até cansar. contudo, não se grita o país. eu sei que de todos aqueles senhoras, aquelas senhoras, jovens, e crianças, raros eram os que gritavam o nome do país e não o nome da selecção. gritou-se o futebol, a equipe, o jogo, porque o país está igual e por esse ninguém põe bandeiras, e hoje é só mais uma segunda feira, como alguém aqui disse. é verdade.
as bandeiras aumentaram, aderiram aqueles observadores relutantes que não tinham muita fé na selecção e que agora acreditam. agora, que é cada vez mais difícil, agora que temos o dobro da probabilidade de perder em qualquer jogo do que temos tido até então. agora acreditam. mas é como ver o pessoal feliz nas ruas: é por causa de futebol, infelizmente, mas é melhor que nada. estão felizes e pronto, isso nunca pode deixar de ser bom. vejamos as coisas assim, então. não sou grande patriota mas gosto das bandeiras. as ruas estão bonitas, é inegável. espero que continuem assim ao longo de todo o ano. e ao longo do próximo... e do outro... e a seguir...
finalmente férias, depois do exame de química, e sou dos afortunados que começam as férias mais cedo que maior parte das pessoas. agora a minha parte preferida não é só o facto de poder não fazer absolutamente nada: o melhor é mesmo fazer absolutamente nada, quase sentir-me mal com isso e depois pensar "oh, não tenho mesmo nada para fazer". é ser irresponsável como até aqui, mas sem a amargura de ter sido irresponsável. sem culpas, só férias.

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